O dia em que a apneia me ensinou a respirar.
Minha jornada não começou no mergulho livre. Começou no surfe. Em busca de mais segurança e confiança no mar, fui estudar técnicas de respiração, relaxamento e apneia. Queria entender como o corpo reage à falta de ar, como controlar a mente sob pressão e como permanecer calmo quando tudo ao redor parece exigir o contrário.
O que começou como preparação para enfrentar ondas maiores acabou despertando um interesse cada vez maior pela respiração humana e me levou a estudar mergulho livre de forma aprofundada. Sem perceber, eu havia iniciado uma jornada que transformaria não apenas a minha maneira de mergulhar, mas também a forma como eu compreendia o corpo, a mente e a performance.
Quanto mais estudava, mais percebia que a respiração não era apenas uma ferramenta para o esporte. Ela influencia nossa fisiologia, nossas emoções e nossa capacidade de adaptação. Foi dessa percepção que nasceu a Performar, empresa que fundei para unir ciência e prática por meio do treinamento respiratório, da fisiologia do exercício e da altitude simulada.
Essa transformação não precisava ser apenas minha.
Ao compreender o potencial transformador da respiração e do mergulho livre na vida das pessoas, passei também a enxergar o imenso potencial que o Brasil possui para se tornar uma referência mundial nesses esportes. Temos um extenso litoral, uma ampla rede de rios, lagos e represas e um patrimônio natural extraordinário.
Também contamos com uma comunidade formada por mergulhadores, pescadores submarinos, atletas e pessoas apaixonadas pelo ambiente aquático, cujo potencial de crescimento pode ser ampliado por meio de formação de qualidade e de uma organização institucional sólida. Essa visão foi reforçada durante minha participação na exploração da antiga Mina de Águas Claras, em Minas Gerais, cuja logística foi conduzida por Archimedes Garrido.
A experiência mostrou que o Brasil possui ambientes extraordinários que podem contribuir para o esporte, a pesquisa, o turismo e a formação de novos mergulhadores. Foi dessa percepção que nasceu um propósito maior.
Como presidente da Federação Paulista de Esportes Subaquáticos, acredito que nossa missão vai muito além da realização de competições. Trabalhamos para desenvolver modalidades, formar atletas, qualificar instrutores, fortalecer clubes e ampliar o acesso ao esporte com responsabilidade, segurança e excelência técnica.
Esse trabalho vem sendo construído em conjunto com a Confederação Brasileira de Esportes Subaquáticos e em alinhamento com a Confédération Mondiale des Activités Subaquatiques, entidade que orienta e regulamenta internacionalmente os esportes subaquáticos.
Acredito que o futuro do mergulho livre e dos esportes subaquáticos no Brasil será construído pela união entre atletas, clubes, instrutores, pesquisadores, empresas e instituições comprometidas com o desenvolvimento da modalidade.
Toda grande conquista começa pela construção de suas bases. É isso que estamos fazendo hoje.
E talvez tenha sido justamente por isso que a apneia, antes de me ensinar a prender a respiração, me ensinou a respirar.

